FILIGRANA

FILIGRANA

“Filigrana é um trabalho ornamental feito de fios muito finos e pequeninas bolas de metal, soldadas de forma a compor um desenho. O metal é geralmente ouro ou prata, mas o bronze e outros metais também são usados. A origem desta arte milenar não está seguramente determinada, sabendo-se apenas que a sua prática era conhecida pelos chineses e indianos, bem como pelas civilizações clássicas da bacia do Mediterrâneo, nomeadamente Grécia e Roma. Os Árabes imprimiram uma notável vitalidade a esta forma artística de ourivesaria, concebendo, a partir da extrema maleabilidade e delicadeza dos filamentos, obras de arte que valorizaram esteticamente o desenho da linha.
Contudo, quando estes chegaram à Península, a arte da filigrana era já conhecida e trabalhada pelos povos ibéricos. A génese desta arte em Portugal remonta às civilizações pré-romanas que habitaram o nosso território, como o comprova diverso espólio de ourivesaria e joalharia castreja descoberto em estações arqueológicas – nomeadamente três preciosos torques filigranados, provenientes da Póvoa de Lanhoso e em exposição no Museu D. Diogo de Sousa, em Braga.
Durante a Idade Média portuguesa, época em que a cidade italiana de Génova se afirmou como o maior centro europeu de filigrana, esta arte preciosa dos metais decorou algumas das melhores alfaias de culto, como são os cálices românicos de D. Gueda Mendes (1152) e de D. Dulce, em prata e apresentando no nó um admirável trabalho filigranado, ou ainda a soberba Cruz de D. Sancho I, datada de 1214 e oferecida por este monarca ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.
No entanto, a moderna arte da filigrana portuguesa evoluiu, essencialmente, a partir de algumas alfaias de culto dos séculos XVII-XVIII, a partir de certos relicários ou cruzes e, igualmente, inspirando-se em peças de joalharia civil, como são as arrecadas ou os brincos. A forma singular da filigrana nacional advém-lhe do seu carácter marcadamente popular, que se vincou ainda mais a partir da segunda metade de Oitocentos.
A área geográfica da filigrana é circunscrita, localizando-se os centros produtores de melhor qualidade nos arredores do Porto – no concelho de Gondomar – e em Braga, no concelho da Póvoa de Lanhoso, particularmente na “aldeia do ouro” de Travassos – contando esta povoação, presentemente, com cerca de vinte pequenas oficinas.
Tipologicamente, as joias fabricadas, em maior número, pelos centros produtores do Noroeste de Portugal são as de uso pessoal – com destaque para as arrecadas e argolas de Viana, os brincos à raínha, os corações filigranados e os medalhões, as cruzes e os colares de “contas minhotas”. Outras peças de maior aparato, como relicários, caixas, colares de gramalheiras, custódias ou esculturas ornamentais (caso da caravela), também são produzidas para satisfazer uma demanda cada vez mais alargada e que não se circunscreve apenas ao território nacional – recorrendo atualmente esta industria da filigrana, com alguma frequência, à prata dourada.
Constituindo-se como ornamento e símbolo de distinção social, a filigrana em ouro revelava-se ainda um investimento e uma mais-valia do agregado familiar. Os objetos da filigrana portuguesa são usados como ornamentos preciosos para ocasiões festivas especiais, quer por grupos sociais mais elevados, quer ainda por pessoas de menores recursos materiais, integrando e enriquecendo a tradicional indumentária dos portugueses do Minho e do Douro Litoral.”

filigrana in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-02-04 19:09:39]. Disponível na Internet:

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